domingo, 29 de novembro de 2009

Disritmia

Sinto que te traio por meus pensamentos.
Não pensei que seria assim depois de passadas apenas três semanas mas foi um tanto inevitável.
Em toda parte existem vestígios de meu amor antigo. Os lugares por onde caminhamos, as coisas que digo, o meu jeito de pensar, as músicas que eu tenho
ouvido, os meus gestos. As lembranças estão por toda a parte.
Você nem se aproxima de ser um pouco igual a mim, ele sempre foi boa parte do que eu sou, do que eu era, do que eu provavelmente serei.
Não quero te ver partir, definitivamente não quero.
Pelo conforto que me da e que tem sempre me dado. Eu o adoro, o venero.
Rezo para que em pouco tempo os tais vestígios desapareçam, que venha uma chuva e os jogue todos num ralo gigantesco.
É novembro, chove, e esse é o vestígio mais doloroso do meu amor que eu pensava ter deixado em algum lugar do tempo... E não o fiz.
Tenho me esforçado ao máximo para não estragar tudo. Mantenho os sentimentos como algo completamente invisível e sei que ainda consigo por um tempo.
Não quero te deixar partir, preciso de você para alegrar os meus dias e me fazer sentir um tanto menos sozinha nesse mundo estranho.
Ele está longe...Muito longe.
Hoje apelo à Deus, para que me conforte e me dê luz para esquecer tudo o que vem me machucado.
Choro e me sinto completamente impotente quando se trata de você.
Por que ainda não inventamos o teletransporte que te traria até mim e me levaria até você sempre quando precisacemos de um ombro?
Por que a vida insiste em fazer isso com nós? Como ela pode ser injusta a este ponto?
O tempo sempre volta, as pessoas sempre vão...
Sentimentos filhos-de-uma-puta sempre insitem em voltar quando parece estar tudo bem.
Maldita vida, maldita distância... Você é o caso maléfico que mais me agrada. Embora eu nunca tenha o desejado.

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