quarta-feira, 30 de junho de 2010

Formiga.

É chegada a hora.
A hora errada
(julgo eu)
de dizer meu mais forçado
adeus.
Deixar-te ir
com minhas mãos
fortemente atadas.
Sentirei,
como nunca,
o vazio de meus dias.
Pois teu sorriso,
doce,
haverá de levar contigo.
Forte apego quebrado,
involuntariamente.
Desejo-te por perto,
todo o tempo.
Não sei
o que será de mim
sem tua graça matinal,
sem tuas mãos
sempre suadas,
pegando nas minhas,
meu conforto.
Sem tua mente insana,
que despertava
o que houvesse de mais louco
na minha.
Sem teu amor,
meu amor.
Sem teus poemas impulsivos,
que costumavas criar
após nossas típicas discussões
e que sempre
sempre
me faziam derramar
os sentimentos mais doces.
Pois graças à ti
descobri em meu universo
o meu inverso.
Uma doçura tamanha,
um amor radiante,
a capacidade de ser menos
bem menos
o poço escuro
frio
cinzento
que costumava ser.
Num apelo
imploro para que não vá
suplico
quase morro
sinto como se pedisse o impossível,
mas como se em meu desespero,
tamanho este,
conseguisse ter fé
enxergar uma vasta esperança.
E não,
não tem mais jeito,
eu tenho que suportar
e entender,
que mesmo no pior dos momentos
terei de estar sem você.
Adeus meu amor,
vá em paz,
fique em paz,
o bom te mim,
lavarás contigo,
pra sempre.

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