Acho que falo demais sobre mim, heranças hereditárias.
Pois, fale um pouco sobre ti, fale muito se possível. Quero que me conte como tem passado os dias, como é para ti, o passar da vida. Não ligue se minha face apresentar pouco caso, se eu fingir não prestar atenção, não me importar.
Tenho por hábito, me colocar dentro de histórias, viver do personagem que somos, por instantes ou não. Me colocar no lugar de todo e qualquer alguém, imaginar crônicas de desgaste.
E a dor? Como se aplica à ti? Como é que a encara? Morreria dela, em seu estado emocional? Será que fingiria que nada acontece? Repetiria mentiras até fazer delas a tua verdade? Faria isso por um bem-estar mascarado?
Desculpe-me. Te questiono demais. Assim, pouco escuto e mais uma vez, muito falo.
Então vou me calar até que tu te abras e jogue ao vento o que dentro guarda.
Não se preocupe se eu fechar os olhos, não deixe que isso te interrompa... Eu não terei adormecido ou coisa do tipo. Eu apenas vou estar sendo você por instantes.
Quem sabe assim, eu descubra que perfeição não existe, que corpos atraídos são coisas de nossas cabeças, que todos erram e que eu não fujo de tal padrão. Ou sina.
Depois tornarei a abrir meus olhos de peixe morto. Mais tarde, quem sabe, eu já tenha esquecido de tudo, ou não, pouco importa. No fim, voltarei a falar de mim.
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