domingo, 11 de julho de 2010
Universo pelo verbo revelado.
Doeu! Doeu pois abusou de artifícios de poder canalha. Em minha boca, o amargo gosto de cevada e a podridão das mais de 4.700 substâncias tóxicas, as quais sou viciada, se misturavam virando tudo de cabeça para baixo. Olhei adiante, pensei ter tido uma alucinação. Mas não, o concreto estava posicionado a mais ou menos vinte passos de mim, enquanto o chão desabava. Queria virar as costas e perambular pelas ruas escuras da redondeza. E pensar, pensar, penar. Pensar nas burrices em que meus atos impulsivos resultam, nesse meu vício pelo sofrer, na capacidade de fazer disso, mútuo. Quis e não o fiz. Enfrentei. Apenas o fiz pois mascarei, olhei-te com olhos de criança que não entende nada, mas queria. Fiz-me forte. Beijei-te no rosto, beijei-a também. Chamá-la pelo apelido não foi cinismo de minha parte, foi apenas a força do hábito. Não à odeio, ela não tem culpa de ser a cruel dor resultante de meus próprios erros. Segui adiante, pisando em nada, pois o chão sumiu e tardou à voltar. Senti ânsia, a vontade de colocar toda aquela angustia que eu sentia se transformou numa vontade enorme de vomitar. Mas não o fiz, continuei remoendo tudo aquilo por dentro, mastigando tudo, horas e horas. Olhei-te algumas vezes, senti piedade de mim. Em teu olhar, a sensação do adeus. "Você vai voltar?", pronunciava baixinho, por dentro, certa de que à mim, resposta alguma caberia. Do outro lado, uma voz insistente me dizia: "Adeus, adeus, ade...". Mais uma vez segurei as lágrimas, não podia acreditar, não queria. Fostes embora junto à Amélia. Idolatrei a lentidão de sua partida, entretanto fê-la ainda mais triste. Pus-me à pensar, desabei. Deixei aquele lugar, deitei, deixei que algumas lágrimas escorressem e, dormi, como criança que nunca soube acertar.
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Fer, é lindo e triste, acho que me identifiquei, este dom de transformar tudo em dor, por estar viciada em sofrer.
ResponderExcluirLindo texto.
parabéns.