Tivesse aquilo, virado uma canção, um filme, um livro...
Era imenso e indiscreto o poder das faces fugazes que deixei passar. Entre todas aquelas, tristonhas e cansadas, surge a tua. Estremeceu-me a alma num piscar de olhos, um típico arrepio de quem não crê naquilo que vê. E pensei ser alucinação, uma visão pobre dos que deliram às custas de um querer não sanado. Firmei os pés naquilo que chamam de chão, às vezes nem sei o que é isto. Firmei os pés para que... Hora essa, será que terei de apelar para um possível neologismo para descrever tal sentimento? Oh! não hei de saber o que significa. Entre o calar da noite e o assobio de um vento que já passou, sim, estavas lá. Ouvi então, uma voz no oco de um mundo imaginário, que não era e não haveria de ser imaginário. Era real. Estremeceram-me as pernas, os braços e todo o meu interior passou à existir de maneira não mais frequente. Esqueci todo o redor que existia e por um segundo, quase me deixei levar por um nó costumeiro que me atinge a garganta e por sorte ou acaso, não o fiz. O destino já estava traçado e por mais que eu fingisse que não, todo aquele sabor de passado havia se voltado à meu favor. Ou contra mim, pois desde o início, soube das duras causas que teria de reviver, e penar até que eu pudesse me recompor e chorar, chorar da agonia que existe entre um possível sim e um quase óbvio não. Me alertaram duramente para que eu evitasse, mas não pude, certas coisas fogem ao meu controle e mesmo que eu tentasse friamente me salvar, não seria possível, pois atraio qualquer tipo de sofrimento e caso-me com ele. Que pena amor, que pena. Que pena para quem sofre, que pena para quem faz sofrer, que pena. Que pena... E é assim, eis o curto passo que existe entre você e eu, e nossas linhas tortas, quase sempre opostas, com partes apagadas mas que sempre se encontram no infinito. Que pena...
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