Clamar por piedade maior seria uma saída, mas não me vem, não me vêem.
Meu coração, roído por traças, não passa de um álbum antigo onde o tempo presenteia tuas faces com contínua opacidade. E vai se desfazendo, amarelando as lembranças. E nem se trata de meu descaso, sim do desapego que de mim exijo. Sofro, sofro e sofro até que tudo me amarele as lembranças, só assim respiro, num alívio preciso de cegueira, e só.
E só pois as linhas e traços que juntos percorremos tem de ser apagadas, ou seremos mortos pelas cicatrizes infectas em nossos corpos amarrotados de angústia e saudade.
Querer-te, Ah! o querer-te. O querer à ti me enxe os olhos, o lembrar de ti me acelera o coração.
Mas não posso. Não.
Vou balbuciando os sentimentos, deixando que o vento tome logo sua função. Vivendo à duras penas o mesmo filme de quinta, onde a plateia joga pipoca e grita clichês. E ao som dessa vaia, me vou...
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