domingo, 12 de setembro de 2010

Cinema de quinta.

Pra onde foram as palavras? Aonde está toda aquela expressão ingênua e calada que transbordava em teus olhos? E aquele órgão, aquela coisa pulsante, para onde foi? Meu coração repete, inverte, troca o sentir pelo raciocinar, acelera, faz-se lento, acelera... Quer vê-lo e não deixá-lo nunca escapar, e por quê? Por que não parar com esta insistência-dinamite, que avassala toda a alma?
Clamar por piedade maior seria uma saída, mas não me vem, não me vêem.
Meu coração, roído por traças, não passa de um álbum antigo onde o tempo presenteia tuas faces com contínua opacidade. E vai se desfazendo, amarelando as lembranças. E nem se trata de meu descaso, sim do desapego que de mim exijo. Sofro, sofro e sofro até que tudo me amarele as lembranças, só assim respiro, num alívio preciso de cegueira, e só. 
E só pois as linhas e traços que juntos percorremos tem de ser apagadas, ou seremos mortos pelas cicatrizes infectas em nossos corpos amarrotados de angústia e saudade. 
Querer-te, Ah! o querer-te. O querer à ti me enxe os olhos, o lembrar de ti me acelera o coração. 
Mas não posso. Não.
Vou balbuciando os sentimentos, deixando que o vento tome logo sua função. Vivendo à duras penas o mesmo filme de quinta, onde a plateia joga pipoca e grita clichês. E ao som dessa vaia, me vou... 

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