Têm horas que me falta a fala, que me faltam amigos, que me falta ombro, que me falta tudo. Nessas horas eu lembro que tenho mão, lápis e papel. Eis a saída. Isso com certeza vai soar como um desabafo, um lamento, uma queixa ou algo assim, mas definitivamente, não é. É a minha alma transbordando e querendo, de alguma forma, dizer o que quiser. Mas que fique aqui.
Escrevo pois hoje a dor me consome e minha alma não mais preserva aquilo que vem de dentro. É uma autólise metafórica. Eu não conheço mais orgulho, amor próprio. Eu não conheço mais o meu ser. Foram 365 dias. Não contei as horas mas parece que cada segundo brinca de ser século. Hoje sou o avesso do que era antes destes. Malditos sejam. Eu me quero de volta. A fala não é o suficiente, o ar não é o suficiente. Eu quero ser livre. Quero me livrar desse pesadelo de uma vez por todas. Eu quis ser livre, hoje não mais o quero. Ou quero. É tudo questão de ponto de vista. Nem sei mais qual é o meu. Isso pode soar também como algo desesperado. Pronto, chegamos ao ponto crucial. Vai soar como realmente é. Sou toda desespero. Minha alma é toda desespero. Mas ainda tenho alma? Quem sou? Que alma tenho?
Eu não vou falar de lágrima. Basta!
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