domingo, 27 de novembro de 2011

Parede branca

E quando me dei conta nem sabia mais quantas vezes já tinha lido aquilo. Dizia apenas algo sobre amor que se interligava em algum ponto com "deixar que as coisas fluam". Mas foi lindo, me disparou o coração e na falta de outro "aquilo" pra ler, eu meio que perdi a conta. Mas isso foi só depois de um longo tempo com o olhar fixo à parede branca. Mas que milagre foi esse? Foi bem quando eu saí do escuro e olhei fixamente para a parede branca, ela era tão sua, tão minha, que se possível fosse, dava-lhe um abraço forte e diria obrigada, obrigada, obrigada. Ao oleiro, ao pedreiro, ao pintor. E já que não pude abracei com a mente, com o coração. Minha alma e corpo fixos nela, só nela. Mas que milagre foi esse? A parede me clareou todo o interior e o que me veio foi esperança. Eu acredito. Agora acredito. Acredito no que antes não queria. Eu tinha medo mas agora não mais o tenho. Eu tinha um receio, um bloqueio, um trauma. Mas passou. E foi tudo graças a ela, a parede branca.

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