Bem que pensava num tom a mais, num toque a menos. Tremeluzentes vão-se os dias, o que o todo forma não é por exato o que o todo é.
Parece que soube antes que não haveria de ser inteiro, mas eternamente parte. O imutável bateu a sua porta e não arredou o pé.
Tocastes meus fracos pontos, nós que já desatavamos e pediamos nova costura, entregamos gotas do frasco que beberemos até o quase fim. Tenho-te contra os lábios, seios, mãos, pernas, cabelos, pés, a um metro de distância.
Insisto em controlar o peito, mas, descompasso, não seguravo o bater, nem por intermédio, mas por que? Queria resistir, por que não me deixou?
Sem saber que em verdade logo cada qual escorreria pelos dedos, onde sempre estiveram, em posição de escape, ultrapassamos as barreiras do espaço e atropelamos o tempo, que insiste em favorecer a velocidade dos ponteiros, mas engana-se quanto ao momento, já que este é físico, possui tempo específico, a duração é minha poeticidade.
A lembrança que vibra em meus ouvidos não é a mesma teu paladar e nenhuma delas condiz com a de um observador inercial. O gosto do azul da sua voz percorre abismos alucinantes no som claustrofóbico do seu quase toque.
Alguém disse que no presente vivemos o futuro, mas algo me elucida que no futuro vivemos o passado.
De peso e leveza ficou todo o empuxo, como pode um navio flutuar e uma bola de chumbo afundar? Sabemos tanto como nada sabemos. Nunca nos importou a força gravitacional, somente o meio, porém disso apenas eu sei e omito. Nunca nos distanciamos. As diferenças que nos cercam são as mesmas que nos mantém iguais. A couraça do coração que descasca, no tempo específico, se iguala ao coração que nasceu descoberto e endurece.
Somos dois corpos colididos, mas propagamo-nos em ondas. Fincados no chão, permeiamos nossos espaços.
Ah, desejo das estrelas, a morte só aparenta imagem no futuro de outrem. Por que até mesmo a luz sofre barreiras em percursos infinitesimais?
Se ao menos pudesse escrever uma sinfonia de cores, tocaria movimentos. É, sabemos que estamos envolvidos pelo éter dos que se encontram e viver é mais puro que o vácuo e sua fragrância é destilada.
Estou lhe escrevendo, e escrever-te-ei por longos tempos, jamais destindos hão de ser.
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