terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sanidades

Cento e quarenta e quatro horas se passaram e continuo com essa dificuldade enorme de manusear meus pensamentos. Eis que então, tudo fica preso em minha lápide mundana. Chego a pensar que são seres maléficos a me perseguir, mas logo este pensamento se desfaz, e mesmo que mais tarde retornem à minha mente, se desfazem em segundos, segundos estes que nem percebo de tão passageiros. Tenho vivido a sanidade destes dias, o que me apedreja a alma, me machuca o coração. A sanidade me fere por dentro, pois as coisas são tristes, posto que se limitam a ser o que e como são, e só. Porém a sanidade tem lá sua parte boa: sendo o que realmente sou e me limitando ao real, sofro menos, pois não despenco nem quebro a cara quando as asas do ilusório optam pelo descanso. E durante essa sanidade desenfreada, chocou-me os pensamentos algo, que de tão real, jamais antes  havia se passado por minha cabeça. Jamais me contentei com o pequeno, o pouco, a parcela, a metade, no entanto  me contradigo nessa frase repleta de vírgulas. O meu ânimo me impede de buscar pelo imenso, pelo completo. E não, não é por falta de vontade, é que meus pés e mãos estão atados ao comodismo de meus dias, e eu não encontro as chaves para me livrar desse vício.

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