terça-feira, 9 de novembro de 2010
Dias molhados
Há tempos não consigo fazer destes sentimentos libertos. Os dias andam metaforicamente molhados. Acordo, torço o que deve ser torcido, abro a janela e vejo o varal lotado, imerso a chuva. Então, fecho a janela e permaneço calada, saciando os meus anseios com nicotina e cafeína, no pleno silêncio, que só se quebra quando a chuva vem a golpear na janela. E depois para, e torna, e para, retorna, para e fim. Em minha mente o mesmo som de outrora, não mais o da chuva, é a canção. Entre o roer das unhas e a mudança de timbre de cada nota, sinto meu coração acompanhar, e dói. Olho para a distancia e sigo em meus passos lógicos, mais tarde, de novo lá, estarei eu. Transbordando na chuva, imersa no mesmo rio metafórico.
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