quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Aquele murmúrio dizia com exatidão: "Não caia! Não caia!". Mas minha ignorante e seletiva surdez não acatava tal informação como deveria. Então eu dormia e caia. Acordava e caia. Sonhava e caia. Lembrava e caia. Respirava e caia. Amanhecia e caia. Anoitecia e caia. Por vezes pensei que me embriagando tudo ficaria lindo. E ficava, quase sempre. Tão grande era meu apelo que desperdiçava dias de luta em uma noitada de álcool,  baboseiras e sorrisos ilusórios. No outro dia acordava. Boca seca. E antes mesmo que me mexesse ou pensasse um "a", eu despencava e não sabia voltar. Ontem despenquei. Hoje bebo pra esquecer. Amanhã despenco.

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